Perspectiva do crédito imobiliário segue favorável

Muito tem se falado sobre a relevância do crédito imobiliário para a economia brasileira, que impulsiona uma extensa cadeia produtiva e gera milhões de empregos para os brasileiros. Dados do Banco Central deixam claro a importância desse setor. No Brasil, a participação do crédito imobiliário no crédito total passou de 5,2% em 2007 para cerca de 16,6% no final do ano passado. O crédito imobiliário representa hoje 9,8 % do Produto Interno Bruto (PIB). Tendo como referência outros países, essa relação ainda é baixa. No Reino Unido, Estados Unidos, Portugal, Canadá e Espanha, por exemplo, essa relação é superior a 60%.

Do ponto de vista do sistema financeiro, o crédito imobiliário, além de propiciar a construção de um relacionamento duradouro com os clientes, também estimula novos instrumentos de captação. Apesar de a caderneta de poupança seguir como a principal fonte de recursos para o financiamento imobiliário, a forte expansão do setor registrada nos últimos anos impulsionou linhas alternativas de funding, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Não devemos interpretar esse movimento apenas como uma busca de recursos no curto prazo, mas como uma expectativa de continuidade de expansão do mercado imobiliário nos próximos anos.

A influência do crédito imobiliário impacta uma cadeia produtiva relevante na economia brasileira, passando pelas construtoras, incorporadoras, siderurgia, indústria madeireira, material de construção, dentre outros tantos setores, gerando milhões de empregos para os brasileiros. Para continuar impulsionando esse segmento, os agentes econômicos e o governo vêm desenvolvendo vários esforços, um exemplo disso é a recente lei 13.097, na qual é possível destacar três pontos.

O primeiro deles é a concentração na matrícula do imóvel de todas as informações de atos jurídicos que possam resultar em ônus sobre o imóvel, o que eliminará a necessidade de consultar diversos cartórios e aumentará a segurança jurídica das operações. Há também o incentivo à utilização do imóvel quitado como garantia de um novo crédito, operação conhecida como home equity. Dessa forma será possível direcionar parte dos recursos da caderneta de poupança para esse financiamento, o que deverá reduzir o custo para o tomador. E, por último, destaque para a criação da Letra Imobiliária Garantida (covered bond), uma nova fonte de recursos para o mercado imobiliário, reforçando as possibilidades atuais de funding.

É importante dizer que para que o crédito imobiliário continue sendo um fator positivo na atividade econômica, seu crescimento deverá permanecer sustentável. Oferecer taxas de juros atraentes, manter o percentual atual de até 80% do valor para financiamento do imóvel e acompanhar de perto os índices de inadimplência é crucial. No sistema, a taxa de inadimplência das carteiras está ao redor de 2%, sendo que nos créditos mais recentes o percentual é ainda menor, de 0,5%. A conclusão é de que, não obstante o crescimento dos últimos anos, os ativos imobiliários demostraram comportamento salutar em termos de risco.

Ainda que alguma acomodação possa ser sentida no curto prazo, tendo em vista o ajuste fiscal e monetário em curso na economia brasileira, temos um déficit habitacional considerável e as condições ainda são favoráveis no mercado de trabalho no médio prazo. Nesse contexto, acreditamos no futuro promissor desse mercado, o que leva os bancos a considerarem o crédito imobiliário um produto relevante na sua estratégia de negócios.

*Altair Antônio de Souza é diretor executivo gerente do Banco Bradesco S.A.

http://www.ibrafi.org.br/2015/02/perspectiva-do-credito-imobiliario-segue-favoravel/