Fonte: O Estado de S. Paulo, 01 fev. 2015

 

Com preços menores e infraestrutura com qualidade crescente, a Região Metropolitana e o interior de São Paulo se tornaram opções atraentes para os compradores de imóveis. Nos últimos meses, a liquidez do entorno paulistano superou os resultados verificados na capital, o maior mercado do País. De acordo com a última pesquisa publicada pelo Sindicato da Habitação do Estado (SecoviSP), a velocidade de vendas de imóveis na Região Metropolitana superou o índice de São Paulo entre setembro e novembro de 2014.

 

No penúltimo mês do ano, as cidades do entorno registraram 17,1% de comercialização do total de imóveis ofertados, ante 10,1% da metrópole. De acordo com o presidente do Secovi-SP, Cláudio Bernardes, a região metropolitana e o interior do Estado têm custos menores de terrenos e regulação menos onerosa, o que possibilita a construção de produtos com preços mais acessíveis. “O que tem acontecido é uma maior aderência dos consumidores dessas regiões ao preço cobrado pelas unidades. Parte desse fenômeno é crescimento orgânico, mas parte também é de êxodo da metrópole”, diz.

 

Segundo Bernardes, o valor médio de um apartamento em São Paulo está em torno de R$ 450 mil, enquanto, no interior, não passa dos R$ 300 mil. “Essa diferença grande de valores faz com que o cidadão aceite morar mais longe do seu trabalho para comprar uma casa melhor.” Percebendo essa movimentação, as construtoras e incorporadoras que têm empreendimentos no Estado vêm investindo desde 2012 em projetos fora da capital.

 

Nos nove primeiros meses de 2014, por exemplo, cerca de 30% dos lançamentos realizados pela Cyrela em todo o País estavam concentrados no interior de São Paulo, proporção que não passava dos 17% em 2011. Já a EzTec, empresa focada na Região Metropolitana, aumentou seu volume de lançamentos fora de São Paulo de 45% das unidades em 2011 para 74% no ano passado. Eduardo Leite, diretor de Incorporação da Living Construtora – braço da Cyrela focado no segmento de classe média – diz considerar natural esse investimento crescente das incorporadoras no interior do Estado. Ele lembra que, das 11 maiores cidades brasileiras que não são capitais, oito estão no Estado de São Paulo. “São regiões que atraíram muitas empresas e cresceram bastante nos últimos anos”, diz o executivo. “Os terrenos, em média, são mais baratos, empresas e indústrias se moveram para essas cidades, o que trouxe mais habitantes. São municípios menos burocráticos e voltados ao investimento, você tem uma pujança econômica incrível nessas regiões.” O diretor de Relações com os Investidores da EzTec, Emílio Fugazza, destaca a movimentação de habitantes de São Paulo para as cidades do entorno.

 

Segundo ele, quase metade dos potenciais clientes da empresa nas proximidades de São Paulo são moradores da cidade. “O cidadão que mora na zona norte já não vê tanta diferença entre morar em Guarulhos, o da zona oeste percebe a aproximação de Osasco, o da zona sul se vê perto de São Bernardo e Santo André”, diz Fugazza.

http://www.ibrafi.org.br/2015/02/preco-da-mais-atratividade-para-cidades-do-interior/