Por Chiara Quintão

 

O total de 110.276 unidades vendidas no primeiro semestre em várias regiões do país corresponde a praticamente o dobro do volume de 51.711 unidades lançadas pelo mercado imobiliário no período, conforme o índice Abrainc­ Fipe. “O mercado está lançando muito menos do que vende. O ajuste não ocorre somente por meio de preços”, afirmou o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Eduardo Zylberstajn. De janeiro a junho, os lançamentos caíram 20%, ante os seis primeiros meses de 2014, e as vendas encolheram 14%.

O indicador, lançado ontem, foi desenvolvido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Fipe. O levantamento inclui dados de 16 das 26 incorporadoras associadas da Abrainc. Estão incluídas unidades residenciais, comerciais e loteamentos. Os números das associadas representam cinco vezes a produção da cidade de São Paulo, segundo o vice­presidente da Abrainc, Renato Ventura.

O representante da Abrainc avalia que “este é um bom momento para se buscar oportunidades e comprar imóveis”. “No médio prazo, o número de lançamentos será, consideravelmente, inferior às vendas”, disse Ventura. O vice­presidente da Abrainc ressaltou que, em qualquer lugar do mundo, o setor é cíclico. “No momento em que a confiança for maior, as empresas vão comprar terrenos e fazer novos lançamentos”, afirmou.

No segundo trimestre, os lançamentos caíram 16% ante o mesmo período do ano passado, para 14,6 mil unidades, conforme o índice Abrainc­Fipe. As vendas caíram 17% no segundo trimestre, para 25,7 mil unidades, ante o intervalo equivalente de 2014 e foram 76% maiores do que o volume lançado de abril a junho. No fim do semestre, o estoque de imóveis era correspondente a 13,2 meses de vendas.

De acordo com o indicador Abrainc­Fipe, as entregas de imóveis cresceram 5% no trimestre, para 31,6 mil unidades.

A taxa de inadimplência potencial nos empreendimentos imobiliários aumentou 1,2 ponto percentual em junho ante o mesmo mês do ano passado, para 9,2%. Na comparação com o primeiro trimestre, houve leve alta de 0,1 ponto percentual.

A inadimplência potencial é calculada pela relação entre o saldo em atraso potencial e o saldo credor. O saldo em atraso potencial considera todo o pagamento ainda devido por quem tem atrasos superiores a 90 dias.

http://www.valor.com.br/empresas/4187570/venda-de-imoveis-no-1-semestre-foi-o-dobro-do-volume-de-lancamentos