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Mitre: de empresa familiar ao primeiro IPO de 2020

A construtora e incorporadora paulista Mitre Realty puxou a fila de IPOs em 2020. A primeira oferta pública do ano foi em fevereiro e levantou 1,18 bilhão de reais. A ação foi precificada no valor máximo, o que demonstrou o apetite do investidor pelos papéis da companhia. A demanda foi tão boa que a construtora abriu um lote adicional de 4,2 milhões de ações.

Desde a conversa inicial com os bancos até o toque da campainha na B3 foram apenas 120 dias. O road show atraiu tanto investidores locais como externos. “Tivemos uma demanda de 14 vezes o book. Isso trouxe para o papel sócios de primeira linha, como fundos soberanos asiáticos, e investidores com perfil de longo prazo. Com isso, saímos no topo do preço”, afirma Fabrício Mitre, de 36 anos, presidente da empresa.  

Para atrair os investidores, o executivo conta que durante o road show a empresa destacou os números de crescimento constantes na última década e o banco de terrenos da companhia, que antes do IPO já somava mais de 4 bilhões de reais. Na apresentação, houve destaque para o modelo de partnership adotado pela empresa. Os executivos que são sócios da Mitre só poderão alienar suas ações e exercer suas opções com prazo entre cinco e dez anos. E o preço das opções de ações tem o valor das ações no IPO somada à inflação no período. “Nós só ganhamos dinheiro, se os investidores originais ganharem.”

Mitre destaca ainda o desafio de um fazer IPO de uma construtora. O último IPO do setor foi em 2009, com a Direcional Engenharia. Nos últimos anos, o setor passou por uma longa crise que parece ter chegado ao fim com a taxa de juro no menor patamar da história. “Os preços estão defasados e estamos com uma demanda de consumo reprimida.”

Dos quatro projetos recém lançados, a Mitre já vendeu 60%. Os empreendimentos são todos em São Paulo e focados no público de média e alta renda. Entre os compradores, estão os clientes que conseguiram poupar durante a quarentena, já que houve uma redução de gastos e pessoas que compraram pensando em investir.

“Nos surpreendemos com o número de compradores investidores. Estes clientes buscam as unidades mais compactas.” Com a pandemia, a Mitre explica que adaptou alguns projetos. Todos os empreendimentos ganharam um espaço de coworking e algumas plantas ganharam um cômodo para que fosse transformado em home office. 

 

Nova geração e gestão 

Aos 36 anos, Fabricio Mitre é o presidente mais novo das empresas listadas na B3. Ele está no comando da Mitre, empresa fundada por seu avô, desde 2008. Formado em engenharia, o executivo estudou em Londres e trabalhou alguns anos na equipe de analistas do Credit Suisse. “Lá, passei a entender melhor o mercado e percebi a oportunidade de negócios que tínhamos na família.” 

A chegada na companhia não foi fácil. O primeiro lançamento sob seu comando foi em setembro de 2008, no final de semana seguinte à quebra do Lehman Brothers. “Foi uma grande estreia”, brinca. 

Mitre mudou a gestão da companhia profissionalizando a empresa familiar. Atualmente, ele é o único representante da família nos negócios. Além do modelo de partnership, ele investiu nos programas de trainee. Dos jovens que chegaram à empresa, cinco já se tornaram sócios. Outra preocupação era em relação à equidade entre homens e mulheres nas vagas. “Hoje, 52% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.”

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